Nos Alto-Falantes: Imelda May – Mayhem (2014)

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Olha elaaaaaa! Minha estreia na categoria ‘Nos Alto-Falantes’, vejam só como eu tô ousada. Confesso que essa categoria é bem difícil pra mim, por isso o Rafa domina, eu tenho um apego danado com as minhas bandas/músicas preferidas e chego a ouvir a mesma coisa por meses, até enjoar MUITO. Claro que nesse meio tempo eu ouço uma coisa diferente aqui, outra ali. Rafael sempre me apresenta muita coisa nova, mas eu ouço, e volto pra minha velha playlist, não tem jeito. A maioria das músicas que estão lá tem um significado importante pra mim e marcaram algo na vida, uma época, um momento, um ideal. Então é um apego emocional justificável (né?).

Bom, mas o que eu vim mostrar pra vocês aqui é uma mulher porreta! Que eu conheci há 6 anos e vira e mexe to escutando, cantando, dançando (ou tentando) e infelizmente sempre que comento dela com alguém, a pessoa nunca ouviu falar. Lá em 2010 eu tava ouvindo alguma banda de rockabilly no Youtube, que era o que eu ouvia muito na época, e apareceu a sugestão pra ouvir Mayhem, da Imelda May.  Eu não me importei muito e deixei tocar. Quando começou, senhor! Eu já amei. Ela tem um voz incrível, forte e delicada ao mesmo tempo e o som é animado e dançante, na segunda parte do refrão cê já tá cantando e se balançando, acredite. Depois dessa eu fui atrás de conhecer mais sobre ela e ouvir outras coisas. Tem muita música pra dançar, mas também tem as bads, mais puxadas pro blues, que são igualmente incríveis.

Ela tem quatro álbuns e o meu preferido de longe é o que leva o nome da primeira música que conheci dela, Mayhem. O último foi lançado em 2014, Tribal, e segundo Imelda é um álbum importante, já que foi escrito e produzido após ter se tornado mãe, ‘quando as pessoas esperavam canções mais leves ou de ninar’ e ela mostrou que mães também gostam de dançar, se divertir e cantar rock’n’roll. Orgulhosa de ser uma representante feminina no meio de tanto homens, Imelda traz de volta e representa muito bem o rockabilly dominado por Elvis Presley, Carl Perkins e tantos outros que marcaram a época. Além da música, ela é linda e carrega visual forte e bem característico do estilo com o tradicional victoria rolls (topetão de rolinho) o batão quase sempre vermelho e as roupitchas a lá pin up. Ela arrasa, gente. Ouçam.

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24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Gente, quanto tempo eu não dou as caras por aqui, hein? Mas, estas mãos que bordam também escrevem e ó, apareci! Vim contar pra vocês a nossa experiência na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. E vou começar com um sincerão: a gente nem tinha cogitado ir, foi tudo na emoção e de última hora.  Mas já adianto que valeu!

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Como a gente foi parar na Bienal de última hora? Bom, a gente tava aqui, vivendo a vida de boa, quando subiu um comentário numa resenha que eu fiz em março, e era o autor do livro, Marcelo Nadur, comentando e nos convidando para conhecer ele e o Rafagato, como ele chama carinhosamente o filho (e eu também vou chamar aqui pra vocês não confundirem os Rafas), lá na Bienal no dia 27/08. Não deu outra, resolvemos na hora ir! Eu já tinha ido em uma Bienal, que minha memória falha não me deixa lembrar qual, mas o Rafa não. Então, chegado o dia, lá fomos nós mergulhar naquele universo inteiro de livros e tentações. Andamos bastante pelos corredores,  seguindo uma certa ordem pra não nos perdermos e deixarmos passar algo, mas olha, que caminhada…

Na metade do percurso resolvemos ir procurar o estande em que o Marcelo tava pra não perder a hora e acabar não o encontrando… E foi super fofo! O Marcelo foi atencioso com a gente e o Rafagato, gente, ta ENORME. Pra quem vê ele nas fotos do livro desacredita. Eu que sou meio perdida com o tempo então, nossa! Ganhamos nosso beijo e abraço, que o Rafagato deu super espontâneo e carinhoso e fiquei super feliz com uma novidade, Marcelo contou que está escrevendo o segundo livro, contando agora das experiências com o filho nesses anos que passaram. Adivinhe quem estou ansiosa, agora? Pois é!

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Encontramos também a Bianca do Digavando.com, que acompanhou a gente até o final do dia! Ela mostrou pra gente algumas coisas que ainda não tínhamos visto, como prateleiras escondidas de livros mais baratos nos estandes,  e o espaço super lindo da Clarice Lispector no espaço da Editora Rocco. Ela também nos acompanhou no ~melhor~ espaço de todos, onde vendia livros a R$10,00 ou 6 por R$50,00. gente, sério… eu sei que nunca disseram nem está escrito em lugar nenhum que na Bienal os livros são mais baratos, mas poderia né? Você anda um monte, cansa, pega fila, pra pagar o mesmo preço que na loja – ou em alguns casos até mais caro. Não faz sentido! Como eu e Rafael estamos em contenção por um motivo muito bom (que cês não sabem AINDA) só aproveitamos essa promoção linda de 6 livros por R$50,00, onde o Rafa deu mega sorte com uns achados incríveis. E eu acabei comprando um livro pra dar de presente também, mas com um precinho mais camarada do que vi em outros lugares.

Como a gente foi no susto, não vimos nenhuma palestra nem nada que havia na programação de sábado, ‘só’ vimos de longe o Ziraldo, super fofinho e deu vontade de ir lá, abraçar, tirar foto. Só que não fomos, só espiamos de longe mesmo. Mas mesmo assim deu pra sentir bem como é a Bienal, que eu já tinha esquecido um pouco, e ver a organização super bacana do evento, conhecer novas editoras, novos livros… e entender que não somos mais jovenzinhos pra andar tanto e não acabar o dia com dor nas pernas :/

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Lembranças musicais

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Sempre tem uma música que nos lembra alguém ou algum momento. Muitas delas que a gente nem gostava na época, ou achava meio chata, mas foi suficientemente marcante naquela hora. As músicas são estopins para te transportar para o passado.

A lembrança mais velha que eu tenho é de um tio ouvindo música aqui em casa. Ele visita minha vó umas duas vezes por ano, e quando vinha, ouvia duas músicas: Será, do Legião Urbana e Jéssica, do Biro do Cavaco, no toca-discos. Eu tinha a impressão que ele vinha na casa da minha vó só pra ouvir essas duas músicas no vinil. Por mais estranho que possa ser, meu pai diz que eu deveria ter entre 3 e 5 anos quando isso acontecia. Mas com certeza foi algo que me marcou, porque né, eu lembro.

É difícil pensar na Bárbara e no nosso namoro, e não recordar de umas cinco ou mais músicas. “Enfilade” do At the Drive-in foi a música que fez a gente começar a conversar MESMO. Mesmo ela sendo só uma desculpa pra se aproximar, ela é importante pra mim. Sempre que ouço parece que viajo pro passado e lembro da Ba vindo conversar “Nossa, fazia tempo que não ouvia aquela música!”. Já faz algum tempo isso, né, amor?

Recentemente ela me mandou uma mensagem com a música “Mais ninguém“, da Banda do Mar. Não sei dizer se daqui 10 anos vai me lembrar algo ou não, mas confesso que atualmente tem roubado minha atenção. Na hora que toca em qualquer lugar, dou aquele sorriso bobo que me remete aos bons momentos que nós tivemos (e temos!). Obrigado por ser especial e me proporcionar tais momentos. “Mesmo que não venha mais ninguém, ficamos só eu e você” ❤

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Na Estante: Honra Teu Pai

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Livro + indicações de leitura do pessoal do trabalho do Rafa

Tenho certeza que vocês acharam que minha meta de ler 20 livros nesse ano tinha caído em esquecimento, né? Erraram! Acabei de ler o 13º, o que quer dizer que eu preciso ler uns livros menores para conseguir atingir o objetivo.

Quando entrei na faculdade de Jornalismo, quase todos professores falaram que Gay Talese era um dos maiores jornalistas que a gente poderia ler. Mas como todo bom estudante, não segui as dicas que ouvi e não li nenhum dos grandes nomes que mandaram. Mas a vida nos surpreende. Meu irmão mais velho comprou um livro do Talese e me emprestou, sem ao menos ler. Eis que assim Honra Teu Pai caiu em minhas mãos.

O livro conta a história da máfia, mais especificamente da família Bonanno, que teve seu auge entre 1930 e 1960, controlando loterias clandestinas em bairros pobres. Os bonannos foram uma das cinco grande famílias mafiosas de New York, e eram naturais da própria Sicília, onde de fato nascem as máfias, antes de começarem imigrar parar os Estados Unidos. O patriarca é Joseph Bonanno, nascido em 1905 na cidade de Castellamare, que chega em terras norte-americanas fugindo do fascismo italiano. Bonanno é um líder de nascença, e se não fosse chefe do crime, poderia ser de qualquer outra coisa – mas escolheu o caminho mais sujo. No decorrer da vida, Joe Bananas (como ficou conhecido) teve três filhos: Joseph Jr., Catherine e Salvatore (Bill).

O autor da obra, Gay Talese (foto: David Shankbone)

O autor da obra, Gay Talese (foto: David Shankbone)

Por não confiar em ninguém jovem para suceder seu posto quando se aposentasse, Joe não viu outra opção a escolher alguém não só de sua confiança, mas de seu próprio sangue. Bill, seu filho mais velho, não só foi escolhido, como virou “sócio” da família Bonanno. E é em torno dos dois e suas famílias, problemas, aflições e tristezas, que Gay Talese aprofundou sua pesquisa para esse incrível livro-reportagem. E o que torna ele excepcional é exatamente isso: não tratar com superficialidade nem o mais simples dos detalhes. Vi em uma resenha pela internet a seguinte frase “Ler Gay Talese é aceitar que você nunca será um jornalista como ele”. Não é só chegar lá e escrever sobre algo, é ter um olhar e uma sensibilidade diferente dos “jornalistas comuns”. Não menosprezando quem trabalha com notícias do dia a dia ou coisa do tipo, tem espaço pra todo mundo, mas assim como no cinema, temos os bons diretores, também temos os Kubricks, Tarantinos, etc.

Se você espera muita ação, tiros e intrigas, talvez esse livro não seja o indicado. Ele traz assuntos menos superficiais e que não apareceram nas capas de jornais da época. É um dossiê, de vida e “obra”, não só dos crimes, mas de como nasce, constitui e vivem os mafiosos, dos dias mais tediosos possíveis aos mais agitados, fugindo de estado em estado e escapando da morte.

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1 ano de blog!

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Ta liberado começar com a frase clichê ‘parece que foi ontem’? Lembro de quando eu e o Rafa resolvemos criar o blog, dos planos iniciais, da espera ansiosa pela ilustração da Marcela pra botar ele no ar. Ain, como o tempo voa! E voa tanto que nesse mês de agosto nosso fiote faz 1 ano de existência ♥ olha que coisa mais linda, que orgulho.

Desde que criamos esse espaço pra dividir um pouquinho da nossa vida com vocês, temos falado sobre coisas que acreditamos, que fazemos e que gostamos (e que não gostamos também) e nessa aventura não ganhamos só seguidores, ganhamos uma troca de experiência com outras tantas pessoas que passaram e continuam passando por aqui, que se identificam com o que escrevemos e se sentem à vontade para conversar, criticar e dividir suas experiências com a gente também. Essa troca que o blog proporciona é incrível. A gente curte um monte ler o que vocês comentam, o que sugerem, curte saber o que mais gostam de ver por aqui. Afinal de contas o blog é nosso: meu, do Rafa e de vocês também! É um espaço que a gente cria aqui nesse mundinho virtual que nos dá a oportunidade de fazer com que vocês nos conheçam, e vice versa.

E a gente queria muito agradecer a todo mundo que passou por aqui nesse primeiro ano, que deu aquela forcinha pra gente não abandonar o blog, que pediu post, que interagiu, que divulgou a gente por aí. Da mesma forma que o Odeio Sagu é importante pra nós, vocês também são e sem vocês o que seria de nós? Um arquivo virtual, um espaço fechado e sem vida.  Então você… é você mesmo, que ta lendo isso daqui… feliz um ano de blog pra você também. Obrigada por contribuir conosco e não desistir de nós. A gente tá aqui, firme e forte pra fazer acontecer mais um ano, e nossas sumidinhas de vez em quando, vou confessar: É só pra vocês sentirem saudade ♥

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O trabalho desgasta o homem

Idosos

Existe uma frase muito utilizada na história que afirma: “o trabalho enobrece o homem”. Creio que quem a escreveu foi o dono de alguma empresa que explorava muito seus funcionários. Pode parecer muito rude, mas o trabalho “sem escolha”, não enobrece ninguém não.

Meu avô é cearense, tem 71 anos e veio pra São Paulo há mais de 45 anos com um intuito: trabalhar, movido pelo “sonho” que muita gente veio atrás nessa cidade, em busca de emprego, melhor local pra família, etc. Pouco tempo depois já estava trabalhando e de tudo fez. Trabalhou até 2011, quando era corretor de cereais e tinha um armazém. O proprietário do local pediu de volta (pois era meio que “emprestado”) e meu avô  se viu perdido. Não sabia o que fazer mais da vida, se viu perdido ao não ter mais uma ocupação remunerada. Pra gente que é jovem e fica pensando em “se aposentar logo” pode parecer muito louco, mas não é. Meu avô e muitas pessoas da geração dele (e anteriores) foram condicionadas que a vida é trabalho. E quando se viu sem isso, de fato, espanou.

Para piorar, meu avô é um dos 4 milhões de alcoólatras que existem no Brasil. Isso pra mim nunca pareceu um problema, já que ele não enchia o saco de ninguém, trabalhava e não interferia em nada. Mas eu sabia que ele estava fazendo mal para si mesmo e uma hora a vida iria cobrar. Ele, que antes lia um jornal por dia, duas revistas por semana, livros, gostava de sair, fazer festa em casa e etc., deixou tudo de lado. A rotina dele se tornou cama e televisão, e uma luta pessoal para não ir beber para “quebrar a rotina”. Quando perguntado sobre fazer alguma coisa, esportes, leitura, passear ou viajar, a resposta padrão dele é que precisa arrumar alguma coisa pra fazer, ou seja, trabalhar. Tento argumentar que a vida não é só isso. É muito mais. Mas a gente sabe, que quando estamos na bad, não adianta alguém falar algo, a nossa cabeça vai nos colocar pra baixo.

Junto ao alcoolismo, nesses últimos cinco anos, percebemos que ele está aos poucos dando sinais que tem alzheimer. Não sou médico, não estudei medicina, mas sei o quanto ele esquece as coisas e parece não ter memória recente. Possivelmente, junto a tudo isso, ele esteja com depressão. “Rafa, fala pra ele procurar um médico”. Olha, não quero parecer grosseiro, mas a gente daqui da minha família, principalmente minha vó, sabemos o quanto meu avô é ‘grosso’ quanto aos assuntos de saúde e idas a médicos, e a probabilidade dele ir é: zero.  E todos os problemas que contei de uma forma ou de outra estão interligados: bebida, depressão, alzheimer e dependência de trabalho.

Esse relato é para vocês entenderem o poder que o trabalho pode exercer sobre nossas vidas. Quem aqui já não ficou sem trabalhar e se sentiu inútil? Quem depois de um dia foda não foi beber “pra relaxar”?  Tudo pode estar conectado. Não estou aqui querendo defender ele, pois como todo mundo, errou e tem seus defeitos, mas o que quero dizer é que todo mundo está sujeito. E o que fazer? Relaxar, diminuir o ritmo as vezes, pensar se está onde quer estar, se gosta do que faz, se sua saúde vai ir embora por conta de algo que deveria “enobrecer” ou se a vida vale mais que um holerite.

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Miados e Latidos: Toquinho

Toquinho

Lembram de quando contamos as histórias das nossas filhas caninas e felinas? Então, estou de volta pra contar a história do Toquinho. Não, a gente não adotou um novo cachorro, pelo contrário, ele já foi embora pro céu dos cachorros, mas preciso contar a história dele por um motivo especial.

No final de 1998, meus avós quiseram me dar um presente de natal. Fomos ao Mercado Municipal de São Paulo (o famoso Mercadão) e procuramos a sessão de animais. Pra quem não sabe, antigamente vendiam cachorros, gatos e passarinhos lá, imagina a bagunça no meio das pessoas lotando os corredores e comidas. Não lembro muito dessa época, afinal, eu tinha 5 anos, mas lembro de voltar pra casa com uma caixa de papelão com um cachorrinho dentro. Eis o novo morador da casa: um fox paulistinha com 3 meses de vida, bem pequenininho. Como eu morava com minha mãe, acabava vendo ele só aos finais de semana e férias escolares. Não passeava muito com ele, mas brincávamos aqui dentro de casa. Outro lembrando muito forte que tenho é de levar todo ano ele pra vacinar nessas campanhas públicas. Não tenho muitas recordações da infância com ele, e confesso que não fui o melhor dono, já que acreditar que uma criança cuidaria de um cachorro, como um adulto, é muita inocência (fica o recado: animais não são PRESENTES. Não compre, ADOTE).

Toquinho2Anos depois, em 2008, acabei vindo morar com meus avós e a gente acabou”estreitando nossa relação”. Passear, conversar, brincar, etc. Só que ele já tinha 10 anos, e aquele pique da juventude já estava indo embora. Mas fiz o melhor que pude para correr atrás do tempo perdido. mesmo ele não gostando muito de carinho, colo ou correr atrás de bolinha. Dois anos depois ele estava ficando surdo, já não respondia os chamados ou barulhos. Em 2013 percebi que ele cansava muito ao passear, mesmo que fosse algumas poucas voltas no quarteirão. Procurei um veterinário, e após os exames, descobrimos que ele tinha vários problemas: no coração, no fígado, um pequeno tumor, início de osteoporose… E aí, eu senti o baque. Ele nunca tinha dado sinais que mostrassem que algo estava errado ou reclamasse. Me culpei muito, por tudo. Pela displicência, pela falta de atenção, mas tentei me consolar com a ideia de que eu era uma criança e que não devia ser responsabilidade “só minha”, mas entendo muito bem a boa vontade dos meus avós em me dar um cãopanheiro (e agradeço MUITO por o colocarem em minha vida <3).

Ração pra cardíaco, remédio, mil vezes mais atenção e carinho. A Bárbara conheceu o Toquinho, e ria horrores dele caminhando por cima dos vasos de plantas. O reflexo e habilidades motoras já não estavam tão bons, e ainda acabou ficando cego de um olho por conta da idade, o que dificultava muito ele andar pela casa, vivia batendo nas coisas e eu tentando deixar o menos possível no caminho. As vezes ele entrava atrás da máquina de lavar e se não latisse, a gente não saberia que ele estava lá. Outra vez pulou num balde de tinta rosa…imaginem como ficou. Quando a Liberta veio morar em casa, ela ficava tentando brincar com ele, parecia que estava até ficando mais animado, mais ativo. Mas com a agitação toda dela, acabou puxando ele pelas orelhas pra brincar e machucou ele, então tiverem que viver separados.

Um dia cheguei da faculdade e ele não estava mais andando. Não tinha comido o dia inteiro e nem bebido água. Coloquei a casinha dele dentro do meu quarto, e ele ficava se debatendo, tentando levantar. Na dúvida, coloquei ele na minha cama, e simplesmente ele se acalmou. Aquilo não era à toa, ele nunca gostou de ficar grudado ou que pegassem ele no colo. Dormiu comigo, quetinho, grudado, sem se mexer. No dia, 22 de junho de 2015, ele acabou falecendo. Chorei tanto quanto estou chorando escrevendo esse post. Eu que nunca perdi ninguém da família ou amigos, me despedi de quem esteve ao meu lado por 17 anos, e apesar de todas as complicações, esperou que que a Liberta chegasse pra poder se libertar do sofrimento e partir.

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Um ano depois, veio a homenagem. O Toquinho virou parte eterna não só nas lembranças, mas na pele. Ta marcado, tanto quanto marcou minha vida e esteve lá, mesmo eu não sendo o melhor dono do mundo. Vi em algum e continuo usando essa frase sempre que vejo alguém falando que perdeu um amigo de patas: eles vivem pouco porque já nascem sabendo amar.

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MInha segunda corrida de rua

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Em março desse ano fiz um post contando minha experiência na minha primeira corrida de rua. Depois dela, fiquei quase três meses sem correr (por tudo que rolou, e vocês acompanharam por aqui), mas em junho voltei a correr 1 vez por semana, e sentindo muitas dores nas coxas, provavelmente por ficar parado tanto tempo, e só parava de doer cinco dias depois. Não tava legal isso. Uma amiga explicou que pra parar de doer, o ideal era correr com dor mesmo. Bem, segui as indicações, e não é que deu certo?

Em julho passei a correr duas vezes por semana. Já tava pronto pra voltar as corridas de 5km, mas geralmente são muito caras (mais de 70 reais). Um belo dia na internet vi abrir inscrições para o Corrida ParaTodos, por 20 reais. Não pensei duas vezes! O trajeto seria no Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo. Não era tão perto pra mim mas mesmo assim valia a pena. A Bárbara também ia, mas acabou tendo que viajar a trabalho :/

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(Foto: Livia Novaes Gossi)

No último domingo lá foi eu pra corrida. Acordei 5h30, tomei banho, tomei café, e parti rumo a Itaquera. Cheguei lá, retirei o kit, guardei as coisas no guarda-volume e encontrei a Sirlene, uma amiga nossa muito querida. Ela falou que logo no começo do trajeto tinha uma subida, mas não imaginei que era TÃO íngreme e longa, foram quase os dois primeiros quilômetros de subida. A respiração já era ali, mas minha esperança era que tudo que sobe tem que descer.  Além disso, o terreno era de terra e asfalto, mas bem castigado. Respiração recuperada, começam as descidas bem menos violentas quanto a subida, quase que em caracol. Chegando no final da prova, percebi que ela tinha 300m a mais do que prometia (marquei por app no celular). Fiz em 29min42seg, segundo o tempo oficial. Apesar das dores na coxa depois da prova, fiquei bem feliz, pois nunca tinha encarado um trajeto tão irregular como esse, e o meu tempo ficou bem dentro do que eu imaginava pra uma prova reta. Pronto pra próxima!

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Não há tempo que volte…

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Lembro que, sempre que chegava a notícia de algum falecimento, a primeira coisa que você dizia era que pra morrer bastava estar vivo. Eu cresci ouvindo isso, e aos poucos se tornou uma ideia natural. Aos poucos fui entendendo que ninguém está preparado para morte, seja para morrer ou pra lidar com a perda de alguém. Mas que muitas vezes ela não manda aviso, a gente não tem tempo de se preparar, e mesmo quando tem, não consegue. E só o que a gente precisa saber é que ela pode sim chegar a qualquer momento, pra qualquer um, em qualquer lugar. Estar ciente de tudo isso não me ajudou muito quando ela chegou pra você, mas amenizou um pouco as coisas. Foi sem aviso, devastador, do dia pra noite (literalmente), mas foi na sua hora.

 Ela te pegou no momento que você mais exalava vida, quando se preparava pra sua corrida matinal. Setenta e cinco anos e, trocado para correr 10K, foi muito além dessa distância. Depois de todo desespero, todas as burocracias e últimos momentos com você, voltamos pra casa. Todo mundo estava na cozinha, tinha família, vizinhos, amigos. E, conversando sobre a morte, entre muitas crenças e teorias, eu falei ‘pra morrer, basta estar vivo’. Eu sei que é o que você teria dito, e, naquele momento exato, as palavras simplesmente saíram. De alguma forma isso amenizou a conversa, e de lamentações a gente passou a falar sobre lembranças, sobre as coisas que você deixou marcadas em nós. Entendi um pouco mais porque você sempre dizia isso. De alguma forma, acalma os ânimos.

Daí pra frente tudo na vida mudou. Cada nota de falecimento que chega desde então eu posso  imaginar a dor da perda. Uma dor que eu não desejo nem nunca vou desejar pra ninguém. Mas também fico imaginando quantas coisa boas ficaram, quanto carinho, quanta aprendizagem, quanta lembrança gostosa. E no final, eu sei que nessa sua frase simples você sempre quis dizer que a gente precisa aproveitar as pessoas que estão do nosso lado ao máximo. Amar, respeitar, cuidar, dar atenção, ouvir, falar. A gente precisa viver as pessoas enquanto é tempo, enquanto há vida, porque o amanhã, na verdade, não existe pra ninguém, mas pode continuar não existindo pra alguém que a gente ama muito. Eu queria ter te vivido muito mais, queria que você tivesse conhecido o Rafa, que fosse pras feiras comigo vender bordados, porque eu sei que você ia se amarrar em fazer isso. Mas eu sei que tudo o que a gente viveu, no tempo que tivemos pra viver, foi incrível e tudo o que você me deixou nunca vai morrer. Você me ensinou muito em vida, e continua me ensinando, vô! Você é incrível, obrigada por ter passado por aqui ♥

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Não podemos parar

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Há alguns meses contei pra vocês como acabei saindo do meu último estágio. Confesso que depois de uma experiência dessas acabei me desiludindo da área. Não que desisti, mas botei na cabeça que só ia mandar currículo para locais que eu acredito de fato que tenha a ver comigo, seja na posição da empresa ou dos clientes. E nessa ideia, comecei a mandar somente para ONGs, sindicatos, associações e veículos de comunicação. Participei de uns processos seletivos, e finalmente encontrei um lugar que quando saí da entrevista, mandei uma mensagem pra Bárbara falando “amor, já posso ficar pra trabalhar?”.

Bem, essa semana já estou completando meu segundo mês lá. É um misto de agência de comunicação e produtora de conteúdo. Além do trabalho ser super legal e leve, as pessoas são muito agregadoras. Para vocês terem ideia, a Bárbara vira e mexe aparece lá no trabalho, e é como se pessoal já conhecesse ela há tempos. Além de não ter pressão por produção ou horários. Você sabe suas responsabilidades, não precisa ninguém na sua orelha lembrando, né?

Outro ponto positivo é que é bem perto de casa. De ônibus ou de bicicleta (simmm, faz tempo que não falo , mas ainda ando bastante com ela), dá 30 min até o trabalho. Além disso, as pessoas de lá seguem uma linha de pensamento muito parecida com a minha: contra a homofobia, o racismo, a transfobia, a xenofobia, e com um grande foco nos direitos humanos. Ah, e o pessoal corre e anda de bike também ❤ Pode parecer empolgação de novidade, mas não é. Tenho certeza que encontrei o meu lugar.

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