Um sobrenome chamado saudade

É só falar de saudade que ela ascende, aperta um tanto que o olho transborda e o peito rasga.
Como não sentir algo tão esmagador por alguém tão incrível, vô!?

Se você soubesse a falta que faz, tenho certeza que daria um jeito de dar as caras por aqui, só pra falar um oi, perguntar como a gente está, como vai o trabalho, a faculdade, a vida. Ver as gatas e reclamar: ‘mas vocês pegaram mais 3 gatas depois que eu fui embora? Eu não acredito, vocês são malucas, a Lola se dá bem com elas? Ô gente, pra que tanto bicho?’, e no minuto seguinte estar com as quatro no colo fazendo carinho e voz fina pra brincar. Sabe vô, você era desses ‘cabra da peste’, como você mesmo dizia, forte igual um toro por fora, delicado e doce como um botão de rosa por dentro. E um cara desses é difícil não deixar saudades!

Lembro tanto das suas gracinhas, das coisas que falava por que sabia que iam irritar a vó, e quando ela começava a xingar, você caía na gargalhada me levando junto. Lembro do quanto me ajudava em tudo, sem medir esforços, se sacrificando, lutando, sendo meu maior exemplo. Sendo pai, vô, amigo, companheiro.

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E como não ser grata pela herança da leitura que você me deixou!? Vi desde miúda você devorar livros e mais livros, todos os dias, sentado na mesa da cozinha depois que todo mundo ia dormir. Eu só pensava que aquilo era algo muito legal de se fazer, e que eu queria também! E quando finalmente comecei a devorar a leitura, você gostava de sentar comigo pra saber sobre o que eram os livros, e o que eu estava achando e aprendendo com eles. Era um momento que eu esperava sempre, me senti adulta, esperta, e tinha um assunto legal pra conversar com você por horas. Era uma delícia!

Ô sr. Caetano, queria te contar tanta coisa, sentar na rede uma tarde, com as cachorras fazendo festa ao redor, e falar sobre tudo. Eu seria capaz até de inventar histórias só pra ficar mais tempo com você, e tentar matar pelo menos o mínimo dessa saudade que aperta o peito a ponto de explodir.

Mas já que não tem como e você ainda não arranjou seu jeitinho de aparecer, eu transbordo de lembranças boas e deixo todo o bem que você me ensinou refletir no meu dia a dia, nas minhas decisões, na minha vida. E ó, pode tá certo de que sem você eu não seria metade do que eu sou e não teria metade da força que eu tenho pra continuar, mesmo sem você aqui.

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