Lavandas

Quando estou em casa não sou de assistir muita televisão. Acabo passando a maior parte do tempo no meu quarto, no computador ou lendo algum livro. Mesmo assim, acabo ‘ouvindo a TV’ quando meus avós estão assistindo. Nesse fim de semana, percebi que estava passando uma matéria sobre lavanda, aquela linda flor lilás. Confesso que não entendo nada de flores, mas lavanda eu conheço a metros de distância e isso tem um motivo.

lavender-543728_640
Como citei no post do livro sobre Buda, sou simpatizante da religião e as vezes frequento os templos. Na minha primeira visita ao Zu Lai, um templo muito turístico localizado próximo a São Paulo, fui meditar junto a um amigo no jardim que fica atrás do prédio. Lá é mais tranquilo pois o principal foco das visitações são as imagens que ficam no “salão principal”. Entre meditações e conversas, vimos um casal a dez metros da nós sentado na grama. O rapaz levantou e saiu andando em direção a uma árvore, quando tropeçou e caiu desmaiado. Sua namorada foi acudi-lo e assustada, gritou nos pedindo socorro.

Arrastamos ele até a sombra e enquanto eu pegava água, meu amigo foi correndo falar com a segurança para chamar uma ambulância.  A moça tentava conversar com ele, tentando reanimá-lo. Ela nos contou que ele tinha se alimentado, mas como no dia o sol estava muito forte, poderia ser a pressão que havia caído. Enquanto a ambulância não chegava, ela me pediu que buscasse algumas flores que ela tinha visto pelo jardim, pois ela era aromaterapeuta. E qual era a bendita flor? Lavanda.

Eu não sabia onde encontrar a flor, mas saí procurando-a com uma foto que achei na internet. Toda flor lilás que eu avistava, comparava e descobria que não era a que procurava. Voltei, cabisbaixo, falando que não encontrei. Ela disse que tudo bem, a ambulância já devia estar chegando. Começamos a conversar, ela ligou para informar o acontecido para a família. E eu continuava olhando para os lados, não aceitava não ter encontrado a flor. Quando avistei, perguntei: “É aquela?”. A moça respondeu sorrindo que sim. Peguei algumas e levei para ela tratar do namorado. Passaram-se dois minutos e o resgate chegou. Ela, com a maior sinceridade do mundo, olhou em nossos olhos e disse: GRATIDÃO. Nunca essa palavra tinha feito tanto sentido para mim.

Como o budismo ensina, nada é por acaso. Não sei os nomes, de onde eram ou no que acreditam ou deixam de acreditar, mas nós estávamos ali no exato momento que tudo aconteceu e pudemos ajudar. E mesmo não sabendo nada daquelas pessoas, depois disso eu com certeza aprendi algo: a identificar lavandas.

^0DD2F7A012009E1254632484B6ACB46D2D74B63E9082860262^pimgpsh_fullsize_distr

Anúncios

3 comentários sobre “Lavandas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s