Na Estante: Memórias de uma Beatnik

Vi esse livro algum tempo atrás, li a sinopse e fiquei muito interessada pela história! Mas como tinha uma fila enorme de livros pra ler, acabei não indo atrás dele pra comprar. Eis que, esse ano, ganhei de aniversário do Rafa (awn) e… devorei!

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Memórias de uma Beatnik é um clássico da literatura erótica que relata uma das gerações mais ousadas que o Estados Unidos já teve: os beats. Mais lembrada sempre pelos autores masculinos, tem um quantidade considerável de autoras mulheres, como Diane di Prima. Neste livro ela descreve com riqueza de detalhes como foi fazer parte disso, como foi SER uma beat. E logo nas primeiras páginas já dá pra ter uma noção do grau de erotismo regado à drogas que vai guiar a narrativa. O negócio é intenso… Em todo lugar, com todo mundo e a todo momento, sem regras e sem muita preocupação. Assim era a geração beat.

As aventuras, da autora e personagem principal da história, se iniciam quando ela perde a virgindade. A partir daí começam as experiências de modo desenfreado, orgânico e livre. Tudo é muito bem detalhado, sabe aquela coisa de tim tim por tim tim? Então. Pra quem não gosta de palavras mais escrachadas, e tem algum pudor fica aqui o alerta vermelho. Como eu não tenho, amei a linguagem usada, foi o que eu mais gostei nesse livro, é como se uma amiga estivesse contando pra outra suas experiências, suas loucuras, e isso algumas vezes fez com que eu pensasse qual minha opinião sobre aquela situação, o que eu diria, o que aconselharia.

Além disso, trata da sexualidade feminina de uma forma muito simples, mas erótica e sem a imposição de um único gênero de relação. E essa linha narrativa me prendeu da primeira página a última, não consigo citar nenhum momento em que achei o livro ou a história chatos ou cansativos. Pelo contrário.

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E é bacana lembrar que a literatura beat é fato real, e com Di Prima citando meses e estações do ano, locais específicos que existiram e foram até famosos e principalmente detalhando lugares em que esteve, é automático que a imaginação monte cenários e momentos citados ao longo do livro. Eu fui longe e por várias vezes me peguei pensando “Nossa! Isso aconteceu MESMO, que louco!”.

E mais louco é ver a cada página uma história que revela, em pleno anos 50, numa época marcada por uma geração chamada de silenciosa e conservadora, jovens buscando a contracultura, saindo de suas casas, deixando para trás famílias, religiões, universidade, e tudo o que pudessem os reprimir para seguir suas próprias intuições, sua própria forma de viver.

É um livro intenso, e a leitura com certeza vai te fazer querer conhecer mais sobre os beats e entender que, mesmo que os livros hoje pareçam só um romance mais picante, os autores dessa época têm muito a dizer.

Editora: Veneta  |   Autora: Diane Di Prima  |   Número de páginas: 216

 

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9 comentários sobre “Na Estante: Memórias de uma Beatnik

  1. Meu único contato com a geração beat foi com o On the road, fora isso conheço muito pouco. Seu texto me convenceu demais, fiquei super curiosa! E acho que nunca li poucos livros até hoje que fosse assim erótico. Achei interessante!
    :*

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  2. Esses marcadores coloridos ❤
    Putaria realista! Que legal!
    Só li livro ruim de putaria até hoje. Mentira, só um que foi bom, da Melissa Panarello. Sempre tenho um pé atrás com essas coisas, não consegui ler um que realmente foi bem escrito (sobre sexo). Mas esse aí me chamou atenção! Vou anotar pro ano que vem! 🙂

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