Me dicen ‘el clandestino’

Protesto em 2013 em Melbourne em prol dos refugiados (foto: Takver)

Protesto em 2013 em Melbourne, Austrália, em prol dos refugiados (foto: Takver)

Em 1998, Manu Chao lançou seu álbum de maior sucesso: Clandestino. A música que abre o disco é a que da nome ao CD. Nela, o cantor retrata a população migratória de diversas partes do mundo. Pessoas que fugiram de guerras, das más condições de vida e de saúde, das catástrofes naturais. Fala dos argelinos, bolivianos, nigerianos, e de suas condições ‘clandestinas’ por não terem ‘o papel’ que provasse que estavam legalmente em outros países.

Traçando um paralelo com os dias atuais, os clandestinos seriam os haitianos e bolivianos em São Paulo, e os sírios e libaneses em boa parte da Europa. Só que felizmente, a grande maioria dessas pessoas estão regularizadas. Quem classifica-os como ‘clandestinos’ é a própria população que não aprendeu a estender a mão, e é sobre o preconceito que os imigrantes sofrem  o ponto principal desse post. Não vou debater sobre a violência, pois quem chega a esse ponto já passou dos limites do ‘debatível’, só a justiça pode fazer algo. Já com as pessoas que ficam só nas ofensas verbais, há uma luz no fim do túnel.

Faixa da torcida do St. Pauli, da Alemanha. "Diga alto, diga claro, refugiados são bem-vindos aqui" (Foto: Daniel Bockwoldt/dpa)

Faixa da torcida do St. Pauli, da Alemanha. “Diga alto, diga claro, refugiados são bem-vindos aqui” (Foto: Daniel Bockwoldt/dpa)

Muitos brasileiros dizem que tais povos são sujos, sem respeito, que roubam os empregos, que deviam ficar nos países deles. Quem diz isso não conhece nem um pouco da cultura de cada refugiado, inclusive, nunca deve ter conversado com uma pessoa que precisou sair de um lugar por medo de morrer, seja pela falta de condições após um terremoto (Haiti) ou a falta de trabalho (Bolívia). Boa parte dos empregos oferecidos aos imigrantes são cargos que a população local não está disposta a se submeter. É só observar o grande número de bolivianos costureiros em São Paulo, muitos deles em condições análogas a escravidão. E o pior é que tais comentários são movidos pela ignorância.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, em 2011, 45% da população da Grande São Paulo era formada por imigrantes de outros estados. Sabe o que isso quer dizer? Que a cada dois residentes, um não nasceu aqui. A minha família por exemplo, é formada por cearenses e baianos. Quando meus avós vieram para cá eles buscavam oportunidades. Seria no mínimo incoerente eu ser contra qualquer processo migratório em busca de vida nova.
Por isso, antes de julgar qualquer pessoa que pelo destino acabou se tornando seu vizinho, lembre-se que alguém da sua família, com certeza, já foi um imigrante e que o mundo dá voltas: amanhã pode ser você, querendo viver o American Dream ou se mudando por qualquer que seja o motivo. Lembre-se: você não precisa gostar, basta respeitar.

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