Na Tela: Boi Neon (2015)

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No dia 26 de março fomos aproveitar a programação gratuita da Matilha Cultural, e vimos – além da exposição e filme Affliction, que já tem resenha aqui – Boi Neon, um longa-metragem nacional que já carrega algumas importantes premiações locais e internacionais no currículo, como o ‘Prêmio Especial do Júri na Mostra Horizontes’, no 72° Festival Internacional de Veneza de 2015 e ‘Prêmio de Melhor filme’ no Festival do Rio, levando o Troféu Redentor. Ele é dirigido por Gabriel Mascaro, que também foi premiado pelo filme. Quando vimos a sinopse e o trailer gostamos bastante, e isso criou em nós uma certa expectativa que, ao meu gosto, não foi suprida (#chateada).

A história mostra um pouco do típico circuito nordestino das vaquejadas, onde os personagens transportam e preparam os animais para entrar na arena. Levando a vida na estrada, o grupo composto por três vaqueiros, uma caminhoneira e sua filha, tem o transporte de animais também como casa, e dividem seus dias, histórias e sonhos. O destaque vai para Iremar (Juliano Cazarré), personagem principal que, fora das vaquejadas, se interessa por algo bem diferente da sua realidade: a moda; e Cacá (Alyne Santana), filha da caminhoneira Galega (Maeve Jinkings), carente por um pai que, aparentemente foi embora.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Agora você pode estar pensando ‘aparentemente? Você não viu o filme, não? Tá maluca?’. Não, tô maluca não! É aqui que entra a decepção. O filme não tem começo, meio e final, não tem aquela sequência de apresentação de personagens, desenrolar da história e desfecho. É basicamente uma história que não evolui. Ele apresenta personagens, fatos da vida de cada um e fim. Não avança, não tem continuação, mostra só mais do mesmo, como funciona o bastidor das vaquejadas, a vida dos vaqueiros, um cara com um sonho que foge à sua realidade e que estaciona aí, uma menina que quer ir atrás do pai mas não vai, nem o pai aparece e nem nada acontece pra dar aquela reviravolta. E são situações que pedem desenrolar, você assiste esperando que vá acontecer algo pra mudar aquilo que foi apresentado. Só que nada muda. É uma história sem ciclo, dá a impressão de estar inacabada quando a tela fica preta e os créditos começam a subir. Só pensei ‘Oi? Acabou? Como assim?’.

Ainda assim a experiência não foi de todo ruim, a fotografia do filme é INCRÍVEL, e também é muito fiel a cultura que retrata, com sotaque característico, paisagens reais e até sofridas, vivência das situações muito natural e real, poderia facilmente ser um documentário de tão fiel à realidade. Além de quebrar padrões mostrando uma caminhoneira fora do estereótipo masculinizada e um vaqueiro que cozinha, se preocupa com a aparência e ainda faz chapinha no cabelo. Mas mesmo com seus pontos positivos, quando vi a quantidade de prêmios que o filme recebeu fiquei me perguntando o que eu perdi de tão sensacional, ou se não fui suficientemente sensível para enxergar a excelência do longa. Em todo caso, acompanhar um filme que não conta exatamente uma história, só faz apresentações de personalidades, sonhos e objetivos, mostra o dia a dia dos personagens e fim não me deixou satisfeita. Preciso de um final certo, uma história desenrolada e resolvida.

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2 comentários sobre “Na Tela: Boi Neon (2015)

    • Exatamente, Mari! Falou tudo, ficou jogado no ar. Seria um filme e tanto se tivesse o conceito ‘comum’ de começo, meio e fim. Mas ainda assim, a proposta num todo é diferente, nova e querendo ou não vale a pena ver!
      Beijos

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