Na Tela: As Cartas de Madeleine (1950)

Eu e o Rafa estamos acompanhando com mais frequência as programações culturais, principalmente do SESC e CCSP nos últimos meses, e temos aproveitado bastante coisa. Principalmente os cineminhas, que sempre nos salvam quando temos a oportunidade de nos vermos no meio da semana. Tem sempre um horário bom, do ladinho do metrô e com tempo de duração que dá pra voltar pra casa tranquilo. E, numa dessas buscas por programação, o Rafa descobriu no SESC Pinheiros uma mostra de cinema, toda terça-feira, dedicada à ‘memória e obras dos cineastas mais representativos da história do cinema  mundial’. Não deu outra…

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O filme que vimos foi ‘As Cartas de Madeleine” – que eu descobri outra tradução: Madeleine. (In)Decifrando Uma Morte -, em preto e branco, e um dos filmes menos famosos do diretor David Lean. A trama se passa em Glasgow no ano de 1857 e conta um pouco da história de Madeleine (Ann Todd), uma mulher de classe média alta, integrante de uma família tradicional e rígida, que já está na idade de casar de acordo com os padrões sociais da época e é pressionada pelo seu pai James Smith (Leslie Banks) para isso. Secretamente ela mantém um romance com um homem pobre que jamais seria aceito por seu pai, Emile L’Anglier (Ivan Desny) que, após um tempo passa a pressionar Madeleine para que ela o apresente à família. Ela, temendo o que o pai seria capaz de fazer se descobrisse, e cega de amor, decide fugir com Emile, mas ele recusa  a saída e aí, pra mim, fica bem claro que seu maior interesse na moça é o poder e o dinheiro de sua família, e não o amor. Então Madeleine resolve romper o romance e passa a ser chantageada com as cartas amorosas que ela enviou para Emile.

E é aqui que as coisas começam a ficar interessantes porque Madeleine planeja se livrar do ex-amado, compra arsênico para dar a ele em doses de chá, e Emile morre pouco depois disso, envenenado. Então ela é acusada de homicídio e julgada. A partir daí, começa um devaneio sobre a culpabilidade de Madeleine. Durante todo o julgamento você se pergunta se a responsabilidade da moça pelo crime é tão óbvia assim. E, apesar de mostrar, na maior parte do tempo, uma sociedade opressora, conservadora e de princípios absurdamente rígidos, fui surpreendida com o desenrolar da história e com a postura de alguns personagens. Não é previsível apesar de parecer muito. E mesmo não deixando óbvio como nos filmes contemporâneos, ele é baseado em fatos reais. Existiu de verdade uma Madeleine Hamilton Smith, nascida em 1835, que morou em Glasgow e morreu aproximadamente em 1920. Seu pai, James Smith, foi um famoso arquiteto. Vários livros e peças retrataram sua história, e um livro de 1961 serviu de base para uma versão filmada pela BBC em 1980.

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O filme todo tem um ar meio parado, um pouco de suspense e drama, com uma atuação muito certinha e marcada, mas não fica chato e nem se torna maçante porque a historia se movimenta bem e prende bastante, você começa a ser surpreendido em vários aspectos e quando  o filme acaba fica com algumas questões na cabeça, e se pergunta até que ponto vai o julgamento humano sobre fatos que desconhece e\ou deduz.

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